Brasileiros se apavoram e adoecem com endividamentos

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Empresas precisam se atentar para essa nova necessidade
Nesta última semana, uma série de estudos sobre o Brasil, publicada pela revista médica inglesa The Lancet , revelou que as doenças mentais são as responsáveis pela maior parte de anos de vida perdidos no país devido a doenças crônicas; passando a ocupar lugar de destaque entre os problemas de saúde pública do país.
A metodologia utilizada por The Lancet calcula tanto a mortalidade causada pelas doenças, como a incapacidade provocada por elas para trabalhar e realizar tarefas do dia a dia.Segundo esse cálculo, problemas psiquiátricos foram responsáveis por 19% dos anos perdidos.Entre eles, pela ordem, os maiores vilões são a depressão – cujos sintomas já atingiram 18% a 30% dos brasileiros, psicoses e dependência de álcool.

Quais são as causas disso?
Segundo o psicoterapeuta Alessandro Vianna, nas grandes metrópoles as pessoas estão cada vez trabalhando mais, perdendo tempo com deslocamentos e tendo menos momentos de lazer, para curtir a família, ou praticar um hobby; ou seja, estão perdendo qualidade de vida.
Por isso, elas desenvolvem mecanismos de compensação, buscando formas de prazer mais imediatas que, porém, se sustentam menos, como a conquista de bens materiais, ascensão social, alcoolismo e mesmo drogas.
Para Vianna, uma das mais graves decorrências desses mecanismos é a ilusão gerada pelo “comprar”.Muitos compensam o remorso de não acharem tempo para se dedicarem aos filhos dando-lhes presentes. Essa culpa gera ainda um medo “monstruoso” de colocar limites e punir os filhos quando necessário; já que pais ausentes não desejam que a maior parte dos poucos contatos com eles sejam de críticas e corretivos. Nesse caso, esses pais sofrem no dia a dia e correm o risco de sofrerem mais a médio prazo, quando virem que estão criando jovens desajustados; ou seja, tornam-se sérios candidatos à depressão continuada e crescente.
Confirmando o que já vimos afirmando há muitos anos, o psicoterapeuta acredita que outras consequências do “comprar” como forma de prazer imediato que não se sustenta, são o endividamento e o descontrole financeiro. Isso as obriga a trabalhar mais e mais, tendo menos tempo ainda, e sofrerem com a falta de dinheiro, com o enfrentamento de cobranças e com poder de compra cada vez menor.
Vianna explica que, desse ponto ao alcoolismo e às drogas, a distância é curta e o estado de psicose aguda acaba sendo mera consequência de tudo isso.
A psicose aguda é uma disfunção da capacidade de pensamento e processamento de informações. Há uma incapacidade de ser coerente, em perceber, reter, processar, relembrar ou agir sobre informações de uma maneira consensualmente validada. Há uma diminuição da habilidade de mobilizar, deslocar, manter ou dirigir a atenção de acordo com a própria vontade.Em outras palavras, é um estado de confusão muito grande.

Pesquisas confirmam o que vem ocorrendo na prática
O mesmo que os psicoterapeutas constatam diariamente em seu consultórios, bem como na pesquisa da Revista Lancet os especialistas abaixo nós, também afirmam.

Educação e Gestão Financeira Familiar – Marcelo Segredo expert em finanças e educação financeira a mais de doze anos, é referência nacional e internacional nesse tema. O especialista e palestrante revela que um dos principais fatores que levam um cidadão à depressão, dependência química e problemas cardiovasculares é o endividamento, principalmente para os homens, já que esses carregam culturalmente o fardo de chefe de família, de provedor, gerando grandes problemas em sua auto-estima, por perceber não ser mais capaz de ter o controle da situação, consequentemente, na maioria dos casos, levando até a uma depressão grave e a dependência química. Existem alternativas para tratar o problema de uma forma mais tranqüila, tudo é uma questão de treinamento direcionado.

Problemas Emocionais – A especialista e palestrante Nay Bernardes também aborda o tema com muita preocupação, relatando que além do endividamento existem outros fatores que levam à depressão tais como: divórcio, perda de emprego, morte de um ente querido, diagnóstico de uma doença grave, falência de empresa e uso de drogas na família. A compulsão por compras, que é uma das causas de endividamento, também é um fator muito comum. Nay Bernardes alerta para a necessidade do tratamento adequado e eficaz para cada transtorno. O psiquiatra Andre Brunoni levanta que a depressão já é a principal causa de perda de qualidade de vida no Brasil, segundo estudos recentes. Ele lembra também que a doença tem uma frequencia de 15% na população e que o tratamento com antidepressivos é eficaz em apenas 50-70% dos casos, sendo que muitas vezes os pacientes desistem do tratamento por efeitos colaterais. Pensando nisto, o psiquiatra desenvolve sua tese de doutorado estudando um novo método para o tratamento da depressão: a estimulação transcraniana por corrente contínua. Trata-se de um método que estimula áreas cerebrais envolvidas na depressão, restaurando sua funcionalidade. Esta pesquisa está sendo desenvolvida pelo Hospital Universitário e Instituto de Psicologia da USP e interessados podem se cadastrar pelo site www.etcc.com.br/pesquisa

Dependência Química – A consultora e palestrante Jacqueline Satriani com mais de quinze anos de experiência na área de dependência química relata que existem vários fatores que contribuem para que jovens e adultos façam uso de algum tipo de substância alteradora de humor como por exemplo, endividamento, estresse, busca imediata de prazer, alivio da pressão do cotidiano, entre outros. O aumento cada vez maior do uso de drogas, medicamentos e álcool esta levando muitos jovens e adultos a perder o controle de sua vida, trazendo sofrimento para si e para seus familiares. É um problema de natureza biopsicossocial. Preocupada com o quadro dessa situação, que vem num processo crescente, inclusive com o aparecimento de drogas cada vez mais devastadoras como o OXI, Jacqueline Satriani defende programas de prevenção e palestras informativas em empresas, escolas e nas comunidades. Segundo a consultora em dependência química ” Não existe mudança sem conhecimento”.

Observamos portanto que “Endividamento” “Depressão” e “Dependência Química” estão coligados entre e fazem com que funcionários se tornem menos produtivos e criativos no ambiente de trabalho, aumentando inclusive os números de faltas, acarretando em grande prejuízos para as empresas.

Fonte: http://www.rhportal.com.br/artigos/rh.php?idc_cad=hbx434umi

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