Ong Afeto e Cidadania aposta no esclarecimento para enfrentar a depressão

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Cansaço intenso, mudança de humor, dificuldade de encarar a rotina ou simplesmente a perda do prazer em atividades até então preferidas são alguns dos sinais de uma doença que compromete cerca de 170 milhões de pessoas em todo o mundo,dados da Organização das Nações Unidas (ONU): a depressão. Estimativas apontam que somente no Brasil existem 17 milhões de pessoas acometidas por esse mal, capaz de causar enormes prejuízos pessoas como a perda da carreira, dos relacionamentos e até da capacidade de realizar atividades corriqueiras.

“Prefiro quando a pessoa está no cinza escuro. Isso significa que algo já aconteceu e ela está buscando ajuda. Perigoso é o cinza claro, onde as pessoas vão convivendo com os sintomas e ainda não estão se tratando”, afirma Nay Bernardes, fundadora da Organização Não Governamental (ONG) Afeto e Cidadania dedicada ao atendimento e orientação de pessoas que apresentam depressão. Fundada em 2005, a ONG nasceu da própria experiência de Nay, que após lutar dez anos contra a doença, acumulou uma série de prejuízos pessoais. “Fiquei dez anos fora do mercado do trabalho por conta da depressão”, afirma Nay, que chegou a entrar em estado de coma em decorrência do uso de medicamentos. Sem poder usar a medicação, Nay foi em busca de grupos de ajuda e de terapias alternativas.

A partir da melhora da qualidade de vida alcançada, Nay teve a idéia pioneira de fundar uma ONG dedicada a melhor qualidade de vida das pessoas com depressão. “Quando eu melhorei, pensei em criar um espaço onde as pessoas pudessem encontrar vários tipos de terapia. Isso é importante porque o depressivo tem pouca energia, o que dificulta ir a vários lugares para realizar o tratamento. A Ong nasceu dessa idéia, facilitar o mundo das terapias alternativas num só lugar”, explica.

Com seis anos de atividade, a ONG Afeto e Cidadania é procurada em geral por pessoas entre 30 e 50 anos, na maioria mulheres e que, de forma geral, já sofreram grandes perdas em consequência de depressão. Além das pessoas nessas condições, Nay afirma que recentemente a ONG tem sido procurada por famílias. “Percebo que as famílias estão adoecendo. Desde o ano passado, temos observado pais e filhos que vêm juntos procurar nossa ajuda.”

Com o trabalho de profissionais voluntários, a ONG oferece atendimentos como terapia auricular, meditação e massagens. Outro ponto forte do trabalho está na educação quanto as características da doença, tanto para o portador quanto para seus familiares, assim como os erros e acertos no tratamento da depressão. “Procuramos fazer com que a pessoa tenha aderência ao tratamento. Muitas vezes, as pessoas têm preconceitos quanto a ir ao psicólogo ou psiquiatra. Buscamos esclarecer que isso é necessário para que ela melhore.” Outras questões também são importantes para que o paciente alcance a melhora. “Algumas pessoas chegaram, por exemplo, sentindo-se mal com a medicação. Isso pode acontecer quando a pessoa não se alimenta direito, fazendo com que a medicação não funcione como deveria”, explica Nay. Em muitos casos,ela alerta que a falta de percepção de alguns sintomas físicos pode atrapalhar até a comunicação entre médico e paciente e assim, o tratamento não alcança o resultado necessário. “Muitas vezes as pessoas não sabem o que é importante relatar para o médico.”

Além do tratamento médico e do apoio das terapias alternativas, a ONG procura esclarecer quanto às mudanças de comportamentos importantes para combater a depressão. “Pessoas que dormem demais, por exemplo, deve evitar esse comportamento”, exemplifica a presidente da ONG.

Para orientar as pessoas que podem sofrer com a depressão mesmo sem ter o diagnóstico médico, Nay alerta para os principais sinais da doença: distúrbios do sono e alimentar, irritabilidade e dificuldade para atividades rotineiras. Além de todos esses sintomas, ela orienta para uma observação específica: a perda do prazer em situações ou atividades que eram positivas como por exemplo, encontrar amigos para um café. “Sempre digo para que as pessoas procurem fazer coisas simples que oferecem prazer. Eu, por exemplo, gosto de comer doce, é algo que me anima. ”

Fundada em 2005, a ONG Afeto e Cidadania iniciou suas atividades num espaço cedido por uma empresa na Rua Dr. Zuquim, onde duas vezes por semana, voluntários ofereciam atendimento gratuito em terapia auricular, com cristais, meditação, massagem e ioga. Apesar dos serviços serem realizados gratuitamente, Nay afirma que muitos pacientes encontravam dificuldade em ir até a ONG, seja por falta de motivação característica da doença ou motivos financeiros. “Decidimos que precisávamos levar esse atendimento à comunidade.”

Atualmente, a ONG Afeto e Cidadania faz parte da Rede Social Zona Norte e conta com a parceria do Grêmio Recreativo e Cultural Social Escola de Samba Império de Casa Verde para que esse trabalho atenda à comunidade local. A ONG atua ainda com a divulgação das informações sobre a depressão na internet: www.portaldoafeto.com.br e realiza palestras sobre a questão em escolas, empresas e entidades.

Fonte: http://www.gazetazn.com.br/index1.asp?bm=m&ed=26&s=43&ma=90&c=0&m=

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